Solidão
Ais, e ais
internos
não comunico
e por aqui fico
tão só
no escuro
na noite ou no dia
o breu em que vivo
é eterno.
não faria mais nada
na vida
pra sair do conforto
que é
ser sozinha.
Sabor
Só teus lábios me fazem sentir
com outros, não tinha gosto, nem cheiro, não tinha cor
Só teus beijos me fazem viver o amor
E é doce, e terno, pequeno
É nosso, sereno.
Eu gosto.
Tempting (trecho)
You've got the heart I never reached
I've got the lips you want to try
Once more...
Insolúvel
Essa situação
que vivo.
quase pedinte, quase doente
- apaixonada.
Acúmulo
Sou só e sei
e sempre serei
com você ou sem, a amargura estará dentro de mim
com uma doença que só se manifesta quando ataca.
lido com essas feridas
da pior forma
cultivando-as, e acreditando.
Sim, eu acredito.
Conclusão II
Eu sou tudo o que eu tenho.
Lustres
Tudo que queima e cora
me aborrece.
e o sol, bactericida, não me protege.
Sempre estarei entre as nuvens
entre as sombras
e as entrelinhas.
Nunca espere me encontrar
fora da escuridão
e da calamidade.
E procure, pelo raio da verdade
e corroa a luminosidade
e perdoa a superficialidade.
À Minha Moda
O abismo é o caminho pro meu coração
Pisa, rasga, vai pro chão
e aí sim, me procure, paixão.
Culto
É na palavra, e no canto
que me manifesto
e grito, grito mesmo, berro:
- Te desejo muito, te quero!
Mentira.
Secretamente escolho as frases certas
e recito-as em meus sonhos
ou no momento antes de dormir
como numa reza
e como se ainda houvesse fé em meu coração...
Conclusão
Eu sinto
que a solidão
só existe
quando você aparece.
Vergonha
Encolho, quase não apareço
Tenho medo de destaque
Calo, para o não-reconhecimento
Sorrio para agradar.
Mas dentro de mim
Palpita ansiedade
E agora sei o que me proíbe
De fazer minha vontade:
Falta de autenticidade.
Espelho
Tua tristeza dissimulada em raiva
Faz a palavra pesar sobre mim
Já não suporto mais um segundo de hostilidade
E adoeço, sob teu poder.
O ócio me esfrega no chão
Como um doente em vias de fato
E de fato, só me resta
Desabar em lágrimas para sossegar
Ah, essa ousadia
De ser cruel comigo
Faz de minha vida, vazia
E de meu espelho, inimigo
Virtudes
Um sonho é um sonho
E voar é voar
Crescer é comer
E passar, estudar
A vida é viva
É doce e bela
É triste, sofrida
A noite é novela.
Um som, um toque
Uma cor... amarela
Uma música, uma orquestra
Uma gaita singela.
O chão, o abismo
O inferno, o cinismo.
As estrelas, o céu
A lua, um pincel
Quadro preso na parede
Por um prego entortado
Uma pessoa na rede
Um sonho inacabado.
Uma luz, um cristal
Um vidro, um espelho
Ser tão rara é ruim?
Por que raios não semeio?
Uma flor, um bosque
Uma floresta encantada
Um gesto, um toque
Uma voz afinada
Chama
Eu sou a estampa da camiseta
Que você usa e nunca é lavada
Eu sou a comida a tua mesa
De prato cheio a quase nada
Sou a chama que te esquenta
Sou a luz que te ilumina
Sou a chama que te queima
Sou a luz que te incrimina
Inocência doce, porém cruel
A tua de dizer que me ama
Sou tudo aquilo que você quer
Porém você nunca me chama
Sou aquela mesma mulher
Estraçalhada na tua cama
Sou aquele triste passado
Que te fere e te acanha
Sou um beijo teu negado
Por preguiça e por manha
Lamento de meus restos mortais
Pétala de Rosa
Cruel e Pura
Mistério Negro
Suave e Imatura
Vem no meu enterro
No aterro do morro distante
Onde reina o mundo das vidas
Mortas por sonhos angustiantes
Sonhos de assassinos doentes
Possuindo objetos cortantes
Partindo corações dementes
Obcecados por corpos estonteantes
Quem dera fossem distantes
A vida e a morte
Quem dera não tivessem relação
O azar e a sorte
Agora sou só mais um corpo
Neste fim amargo da vida
E é pesada a terra que me cobre
E é salgada a lagrima que me vela